Inventivos e insatisfeitos por natureza, não podíamos estar parados por muito tempo.
Corria, salvo erro, o ano de 1971 e desta vez a ideia era pôr no ar um programa de rádio realizado pelos escuteiros do CCXI!
Como eu, o Valério e o Guerra já possuíamos algum “traquejo jornalístico (?)” adquirido através do jornal “O Padrão”, órgão informativo dos alunos do Liceu Diogo Cão, no qual fazíamos na altura parte do corpo redactorial, resolvemos avançar.
Como no caso da “pintura” do Cristo-Rei, já aqui relatado, tínhamos que ter o aval de alguém responsável, neste caso do nosso Chefe do Agrupamento. Desta vez não tivemos uma resposta idêntica à do Eng. Sardinha, que nos “tinha mandado pintar a nossa sede”. O Chefe Ribeiro concordou de imediato com a iniciativa, apenas nos impondo como condição prévia que lhe apresentássemos matéria para um mínimo de três meses de programa.
Assim fizemos e após longas sessões de trabalho, lá apresentámos o que nos tinha sido imposto.
De seguida dirigimo-nos à Rádio Comercial de Angola, na altura dirigida pelo senhor Ivo….. ( não me lembro do resto do nome), que nos recebeu da melhor maneira possível e nos indicou logo o técnico de sonoplastia que iria trabalhar connosco na elaboração do programa. Pessoa impecável e cheio de paciência que nos aturou ao longo das sessões de gravação do programa, que se intitulava “ALERTA 71” (se não me enganei no ano). Pena foi que, por imperativos da grelha de programas da RCA, o programa não passasse em horário nobre, sendo emitido semanalmente às duas da tarde. Mesmo assim tivemos um bom feedback e havia muita gente, não só escuteiros e familiares, que o acompanhavam e nos falavam dele.
Tratou-se de um programa polivalente em que não só abordávamos temas de matriz escutista, mas também notícias de âmbito geral, nomeadamente sobre desporto (a Fórmula 1 tinha lugar de destaque e era coordenada pelo Bjeu, o expert na matéria).
Lembro-me por exemplo que emitimos em episódios a vida do nosso fundador Baden Powell, para os quais nos baseámos num magnífico livro de banda desenhada sobre a sua vida, que era pertença do Ch. Ribeiro. Será que ainda existe essa revista, Ch. Ribeiro?
De realçar o “profissionalismo” que empregámos na realização do programa. No dia anterior à gravação do programa, juntávamo-nos na nossa sede e com a ajuda dos “técnicos de som” Sousa e Victor Daniel e dos seus gira-discos e gravadores, fazíamos a gravação prévia de todos os artigos, músicas e os respectivos separadores e slogans. Tudo cronometrado para não excedermos o tempo do programa que era de trinta minutos, mais coisa menos coisa.
Para a posteridade aqui fica um dos slogans que utilizávamos: “As nossas reacções são contrárias às logicamente imperfeitas”. Coisas!
Como já solicitei em outro artigo, peço a colaboração dos intervenientes nesta aventura para mais achegas e recordações sobre este tema.
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quarta-feira, 12 de setembro de 2007
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